Para além deste excelente resultado a nível individual, o karateca do Clube Naval do Funchal foi ainda medalha de prata por equipas, já que Portugal disputou a final, tendo sido derrotado tangencialmente pela formação que combateu em casa.
Antes dos combates propriamente ditos, Ricardo Gomes participou quinta-feira no estágio internacional que contou com a presença dos quatro Shihans da Kimura Shukokai International, Edie Daniels, Chris Thompson, Bill Bressaw e Lioenl Marinus, no qual foi sujeito a exame de graduação, ultrapassado com sucesso. Os Shihans reconheceram a qualidade técnica de Gomes, que agora é 4º Dan!
Apesar da participação neste Europeu ter sido menor em termos quantitativos, teve maior qualidade nos intervenientes. Na sexta-feira realizou-se a competição de Kata (formas), na qual Portugal evidenciou a aposta que tem feito nesta vertente. Foram vários os atletas presentes nos pódios. Nos escalões de formação, realizou-se o Kumite (combate) e Portugal cumpriu com a tradição, com vários campeões e medalhas. Sábado foi a vez dos seniores subirem ao tapete para a prova de Kumite individual e de equipas.
Ricardo Gomes, na categoria de +80 kg, pretendia repetir a presença na final individual, tal como em 2009, na Alemanha, mas não conseguiu impor o ritmo e agressividade que lhe são habituais. Apesar de ter chegado às meias-finais, perdeu com Ben Yates (Inglaterra), finalista vencido. No combate de atribuição do 3.º lugar, ganhou a um suíço, mas sem demonstrar a superioridade que lhe é reconhecida. A prova de equipas não correu muito melhor, perdendo primeiro frente a um finlandês, muito devido ao teatro protagonizado por este, que valeram ao madeirense duas penalizações, e depois na final, por 5-3, frente ao inglês com quem perdeu na Alemanha em 2009.
No final da competição, Ricardo Gomes não escondeu alguma frustração.
«A nível pessoal as coisas não me correram bem, senti-me muito descontraído e “preso” ao mesmo tempo. As técnicas não saíam com a velocidade e potência necessárias para esta prova de estilo. No primeiro combate entrei a uns 40% e só quando estava a perder por 3-0 “acordei” e fiz 3 pontos em 5 segundos, acabando por vencer no prolongamento por “morte súbita”. Nos outros combates procurei diminuir essas debilidades e, com uma boa gestão táctica, venci com alguma facilidade. No combate de acesso à final o adversário esteve forte e tem mérito na vitória, mas ainda assim sinto que o poderia vencer se estivesse ao nível habitual. Na repescagem foi mais um combate com uma boa gestão táctica e consegui um resultado que, dadas as condições em que me encontrava, é muito bom. Não consigo explicar o que aconteceu, na noite anterior tive uma dor de cabeça e cheguei ao fim do dia cansado de estar um dia inteiro no pavilhão, mas no dia seguinte sentia-me bem», explicou, considerando que a dificuldade foi mais psíquica do que física. «O facto das técnicas não estarem a “sair” provocou algum stress psicológico que não consegui eliminar até final da prova.»
A nível global a prestação dos portugueses foi muito boa com Portugal a repetir a liderança da tabela dos países mais medalhados, conseguida no último Mundial em Lisboa. Portugal obteve 8 medalhas de ouro e isso devese muito a um equilíbrio que existe neste momento em termos de qualidade em Kumite e Kata, sendo que Portugal tinha sempre mais resultados em Kumite, uma situação que tende a inverter. O próximo evento da KSI será o Mundial que se realizará em 2012, nos Estados Unidos da América.
(AnaLima – Comunicação )












